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Artigo: literacia em saúde do trabalhador pode contribuir para ampliar a autonomia e a participação de trabalhadoras e trabalhadores

A promoção da literacia em saúde do trabalhador pode contribuir para ampliar a autonomia e a participação de trabalhadoras e trabalhadores nas decisões relacionadas à saúde e à segurança nos ambientes de trabalho. A análise é apresentada pelo pesquisador do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh) Frederico Peres, em ensaio publicado na revista Saúde Debate, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz).
O conceito envolve mais do que o acesso e a compreensão de informações. No documento, o pesquisador considera a capacidade de buscar, avaliar, interpretar e dar sentido aos conteúdos relacionados à saúde, transformando o conhecimento em decisões e ações individuais e coletivas. No campo da saúde do trabalhador, essa perspectiva também busca reconhecer o trabalhador como sujeito ativo na construção de conhecimentos e na transformação das condições de trabalho.
Segundo o artigo, a precarização das relações de trabalho, as desigualdades sociais e o avanço da desinformação dificultam a construção de ambientes laborais seguros e saudáveis. Nesse cenário, informações falsas ou descontextualizadas podem comprometer a percepção sobre riscos ocupacionais, direitos trabalhistas e medidas de proteção.
O ensaio considera três níveis de desenvolvimento da literacia em saúde: funcional, interativo e crítico. O primeiro está relacionado à compreensão de informações básicas, como normas e protocolos de segurança. O segundo envolve comunicação e participação nas discussões sobre saúde no trabalho. Já o nível crítico amplia essa capacidade para a análise dos determinantes sociais, econômicos e políticos que influenciam as condições de saúde e segurança.
O texto defende ainda que a estratégia pode ser desenvolvida em diferentes espaços do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), serviços de saúde do trabalhador e equipes da Atenção Primária à Saúde, além da formação de multiplicadores, ações educativas e iniciativas de enfrentamento à desinformação estão entre as possibilidades apontadas.
Para o autor, promover a literacia em saúde do trabalhador exige superar modelos educativos baseados apenas na transmissão de normas apostando no reconhecimento de trabalhadoras e trabalhadores como protagonistas na construção de ambientes mais seguros, saudáveis e democráticos.
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